quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Dominados pelo Terror

Esse é um western diferente, pois não se resume em contar a história de uma família de rancheiros, usando apenas daquela velha fórmula que conhecemos tão bem, valorizando a coragem desses pioneiros que foram para o oeste. Ao contrário disso investe em dramas familiares, mostrando as complexas relações entre os irmãos que no fundo não se suportam. Robert Mitchum é o irmão do meio. Ele tem uma personalidade forte, dominante. Também tem uma visão cínica do mundo. Ele sempre tem uma frase sórdida e ácida para dizer aos seus familiares. Quando o gado começa a aparecer morto, ele sai a cavalo ao lado de seu irmão mais velho para caçar a pantera negra que estaria matando os bovinos de seu rancho.

O lugar é inóspito, localizado no alto das montanhas de Montana, onde há muito neve e perigos em todos os lugares. Há um velho nativo que mora com a família. Ele tem visões sobrenaturais com a pantera, como se essa fosse uma manifestação do mundo espiritual. No fundo o animal funciona dentro do roteiro quase como uma metáfora da própria morte. O resultado é no mínimo estranho. Há um clima sombrio e de trevas que atravessa todo o filme, algo muito surreal e pouco comum em filmes de faroeste. Os mais velhos não são sábios, mas sim pessoas desprovidas de esperança, de boas virtudes. O velho pai do personagem de Mitchum vive atrás de sua garrafa de whisky que esconde em todas as partes do casarão, a mãe é uma mulher dura, com ares de fanatismo religioso. Um clima nada bom, em um filme com um tom tão escuro que em determinados momentos causa até mesmo agonia no espectador.

Dominados pelo Terror (Track of the Cat, Estados Unidos, 1954)  Direção: William A. Wellman / Roteiro: A.I. Bezzerides, baseado na novela escrita por Walter Van Tilburg Clark / Elenco: Robert Mitchum, Teresa Wright, Diana Lynn, Tab Hunter / Sinopse: Dois irmãos de uma família de rancheiros sobem às montanhas para caçar uma pantera negra que estaria matando todo o gado de seu rancho. No caminho encontram não apenas um animal comum, mas também uma manifestação sobrenatural da própria morte.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O Jovem Karl Marx

O filme se propõe a mostrar os primeiros anos de atividade política do jornalista e escritor Karl Marx. Após publicar em um pequeno jornal revolucionário socialista, ele é expulso pelo governo prussiano. Assim arruma as malas e vai embora com a família para Paris. Na capital francesa procura por emprego, mas seu histórico não ajuda. Fatalmente acaba sem dinheiro, fazendo com que sua família passe por necessidades financeiras cada vez maiores. No meio de uma fase bem ruim de sua vida, acaba conhecendo o jovem Engels, o filho de um capitalista rico, dono de uma fábrica em Londres. Ambos possuem o mesmo pensamento ideológico socialista e decidem trabalhar juntos na produção de um livro explorando a luta de classes dentro da sociedade.

Gostei desse filme. Embora seja um dos escritores mais influentes da história, o fato é que Marx continua sendo pouco conhecido até mesmo por seus admiradores de esquerda. Pouco se estudou sobre sua história e sua vida pessoal. Marx foi expulso da Prússia e depois da França, indo parar em Londres. A vida difícil porém não melhorou. Mesmo com a ajuda de Engels, ele passou por muitas dificuldades financeiras, ficando anos desempregado e sem sustento para si e seus filhos. O que salvou Marx foi sua obra literária. E é curioso perceber também que ele foi um escritor desorganizado, sem muito método na produção de seus textos. O filme retrata bem isso, com Marx envolto em um escritório bagunçado, com folhas avulsas escritas por ele voando por todos os lados. Anotações em folhas de papel, pedaços de pensamento sem ordem. Cabia ao desafortunado Engels tentar organizar aquela bagunça. Essa desorganização passou inclusive para sua principal obra "O Capital", que é um livro difícil de ler, justamente por causa dessa falta de direção de seu escritor.

Outro ponto muito sutil do roteiro que revela muito sobre Marx, o escritor, acontece quando Engels o aconselha a ler livros dos consagrados economistas ingleses, como David Ricardo. Engels diz a Marx indiretamente que ele precisava estudar mais economia. É um fato histórico que Marx tinha muito conteúdo revolucionário e ideológico, mas que no fundo sabia muito pouco sobre teoria econômica. Ele tinha falhas e falhas importantes em sua formação intelectual. E foi justamente por essa razão que o socialismo marxista nunca conseguiu gerar bons frutos na área econômica. É uma ideologia utópica e não prática. Isso ficou claro desde sempre, embora Marx tenha tentado trazer bases e fundamentos pretensamente científicos para seu livro. O curioso é que Marx tentou de certa modo remodelar e refundar o pensamento dos socialistas utópicos que o antecederam, mas não conseguiu na prática ir muito além deles. Continuou em essência sendo um pensador socialista meramente utópico. O socialismo, como mera utopia, não conseguiria mesmo se firmar no mundo real.

O Jovem Karl Marx (Le jeune Karl Marx, França, Bélgica, Alemanha, 2017) Direção: Raoul Peck / Roteiro: Pascal Bonitzer, Raoul Peck / Elenco: August Diehl, Stefan Konarske, Vicky Krieps / Sinopse: Durante o século XIX, um jovem escritor e jornalista chamado Karl Marx se une ao filho de um rico industrial inglês, Engels, para escrever um livro que trouxesse bases teóricas fundamentais ao pensamento socialista que começava a se espalhar pela Europa, principalmente entre a classe trabalhadora. Juntos, eles tentaram unir o proletariado numa luta de classes contra a burguesia, proprietária dos meios de produção e de toda a riqueza da sociedade.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Alô, Dolly!

O musical no cinema teve seu auge durante as décadas de 1930 e 1940. Foi o tempo em que Fred Astaire e Gene Kelly brilharam, com filmes extremamente bem realizados, maravilhosas produções, com o que Hollywood tinha de melhor a oferecer ao seu público. Esse "Alô, Dolly!" chegou aos cinemas no final dos anos 1960, quando o gênero já estava em franca decadência, para não dizer em desuso. A geração "flower power" associava os antigos musicais aos tempos de seus pais e como havia um certo preconceito sobre isso, poucos filmes fizeram sucesso por essa época. O curioso é que os estúdios Fox chamaram justamente o astro Gene Kelly, daqueles tempos áureos, para dirigir essa versão para o cinema da famosa e extremamente bem sucedida peça da Broadway.

Seu trabalho de direção é primoroso. Kelly não era tão elegante como Astaire, mas compensava isso com coreografias extremamente bem marcadas, com grande vigor atlético e precisão em cada passo. É justamente o que vemos aqui. Tirando as cenas em que Barbra Streisand canta, temos uma amostra do trabalho do diretor, ator e bailarino nesse aspecto. Isso fica bem nítido na cena do restaurante, com os garçons dando piruetas, dançando e esbanjando vigor físico. Em muitos momentos percebemos que tudo foi filmado com tomadas de cenas únicas, algo realmente impressionante. Talvez por não mais dançar, Gene Kelly aproveitou para fazer desse filme sua última homenagem à dança! Foi um belo adeus, como bem podemos conferir.

Além da presença do genial diretor também temos um elenco excepcional. O principal destaque vai obviamente para Barbra Streisand. Que grande talento! Sua voz tinha uma qualidade digna das grandes divas da música norte-americana do passado. Ela esbanja refinamento em cada nota musical, em cada detalhe. Além de excelente atriz, também era uma dançarina espetacular. Uma artista completa. Sua leveza e docilidade contrastou bem com o estilo mais rude (e igualmente engraçado) de Walter Matthau. Ver o ator dançando e cantando é outra diversão que por sí só já vale a pena. Com produção requintada, ótimos figurinos, cenários deslumbrantes e uma trilha sonora das mais agradáveis, esse "Hello Dolly!" foi uma bela despedida aos grandes musicais de Hollywood. São duas horas e meia de puro prazer! Obra prima cinematográfica e musical.

Alô, Dolly! (Hello, Dolly!, Estados Unidos, 1969) Direção: Gene Kelly / Roteiro: Michael Stewart, Thornton Wilder/ Elenco: Barbra Streisand, Walter Matthau, Michael Crawford, Marianne McAndrew, Louis Armstrong / Sinopse: Dolly Levi (Barbra Streisand) é uma viúva que trabalha como agente matrimonial. Ela é contratada pelo rico e rabugento Sr. Horace Vandergelder (Walter Matthau) para lhe arranjar uma esposa, mas nada parece dar certo, até que Dolly começa a se ver como ela mesma uma boa pretendente para o irascível Horace. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme e Melhor Fotografia (Harry Stradling Sr). Vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Som e Música.

Pablo Aluísio.

domingo, 19 de novembro de 2017

Titan

Seguindo os passos da Disney, o estúdio Fox também entrou no concorrido mundo da animação. Eles seguiram basicamente a mesma fórmula: contratar atores famosos para dublar os personagens, promover uma grande campanha de marketing e obviamente esperar pelo melhor: lucros e mais lucros provenientes das bilheterias de cinema. O curioso é que ao invés de apostar no mundo dos contos de fadas e era medieval (como faz a major Disney) aqui os produtores escolheram uma aventura espacial como tema. A estorinha se passa no ano 3028 quando o planeta Terra é invadido por uma civilização extraterrestre selvagem e cruel. A maioria da humanidade é destruída, mas alguns seres humanos escapam. O protagonista, o jovem Cale Tucker (dublado por Matt Damon), consegue ir para o espaço.  E é justamente nos confins do universo que ele acaba se envolvendo em uma grande aventura.

A Fox investiu 75 milhões de dólares nessa animação, mas não se deu bem. O filme não foi bem de bilheteria e nem de crítica. Isso demonstrou aos executivos do cinema que não seria fácil vencer nesse mercado tão concorrido da indústria cinematográfica. Mesmo assim, com esse relativo fracasso comercial em mãos, o estúdio não desistiu e continuou investindo até encontrar o sucesso tão esperado com a franquia "Shrek", aquela mesmo do ogro verde que caiu nas graças da criançada. Por fim, apesar de tudo, "Titan" ainda conseguiu arrancar três indicações ao Oscar da animação, o Annie Awards. As indicações foram para categorias bem técnicas, nada de espetacular, mas pelo menos serviu como reconhecimento de que pelo menos do ponto de vista técnico o filme era realmente caprichado.

Titan (Titan A.E, Estados Unidos, 2000) Direção: Don Bluth, Gary Goldman / Roteiro: Hans Bauer, Randall McCormick / Elenco: Matt Damon, Nathan Lane, Drew Barrymore, Bill Pullman, John Leguizamo / Sinopse: Um jovem humano, sobrevivente da maior invasão do planeta Terra por uma raça de extraterrestres, tenta superar o trauma da separação de sua família enquanto se envolve numa grande aventura espacial ao lado de seus novos amigos.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

sábado, 18 de novembro de 2017

Terra Selvagem

Um bom thriller todo filmado na reserva natural de Wind River, no estado americano do Wyoming. Tudo começa quando o agente do departamento de caça e pesca Cory Lambert (Jeremy Renner) encontra o corpo congelado de uma garota no alto da montanha. Ele a conhece, é uma jovem chamada Natalie, que pertence à comunidade indígena local. Ela foi assassinada, além de ter marcas de ter sido estuprada antes de sua morte. Como se trata de uma região sob jurisdição federal o FBI é chamado. A agente Jane Banner (Elizabeth Olsen) é enviada para liderar as investigações. Inicialmente se suspeita de jovens nativos que vivem pelas redondezas. Eles são viciados em drogas e poderiam ter cometido o crime. Depois, com mais cuidado, novas pistas levam para outras direções.

Achei o roteiro desse filme bem convencional, o que não chega a ser um problema. A trama, apesar de bem criada, não chega a surpreender em nenhum momento. A beleza natural da região onde o filme foi rodado compensa em grande parte alguns momentos mais parados do enredo. O personagem de Jeremy Renner gosta de pensar sobre si mesmo como a um caçador, um homem plenamente inserido dentro da natureza. Ele foi casado no passado com uma nativa, por isso tem acesso aos indígenas que vivem naquelas terras, o que definitivamente ajuda muito nas investigações. Há um belo momento "Animal Planet" quando ele encontra uma família de leões da montanhas numa toca. Esses animais não são mostrados no filme como bestas assassinas, mas com o respeito que a fauna nativa merece. No mais é um filme sem maiores surpresas. Falou-se muito em prêmios para esse filme, principalmente depois que ele foi agraciado em Cannes. Alguns apostam até mesmo em talvez até um Oscar, mas entendo que isso seria algo exagerado, sem razão de ser.

Terra Selvagem (Wind River, Estados Unidos, 2017) Direção: Taylor Sheridan / Roteiro: Taylor Sheridan / Elenco: Jeremy Renner, Elizabeth Olsen, Julia Jones, Kelsey Asbille / Sinopse: Uma jovem nativa é encontrada morta no alto de uma montanha da reserva natural de Wind River, no Wyoming. Uma agente do FBI é enviada para investigar e com a ajuda de policiais locais e do próprio agente de caça e pesca que encontrou o corpo, começa a desvendar o crime.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Paul McCartney - Press to Play - Parte 2

Alguns arranjos sempre vão soar bons, não importa o tempo passado. Veja, por exemplo, o caso da música "Stranglehold". Esse tipo de sonoridade poderia estar em qualquer disco dos pioneiros do rock americano na década de 1950. Carl Perkins, Buddy Holly, qualquer um deles poderia assinar uma canção com essa levada. Aqui Paul valoriza os instrumentos básicos das primeiras bandas de rock, dando destaque para o bom e velho violão. Um sax maroto, que sempre me pareceu ter saído dos Comets, o grupo que acompanhava Bill Halley, completa o quadro musical.

Paul usa em sua letra também um velho clichê dos primeiros compositores do rock, com várias perguntas que vão se repetindo ao longo da canção. Também gosto do estilo de composição "apoteótica", onde a harmonia vai sempre num crescente, um velho estilo que sempre apresentou ótimos resultados. Em suma, esse é uma das melhores músicas desse álbum de Paul McCartney. Deveria inclusive ter virado single, com maior divulgação.

A música anterior mostrava que Paul sempre soava melhor quando ia nas raízes musicais, sem muita pretensão. Um pouco disso também se ouve em "Good Times Coming / Feel the Sun", na verdade uma dobradinha que Paul trouxe direto dos tempos dos Wings. Não precisa ir muito longe para perceber bem isso. Basta entrar aquele corinho com Linda e demais vocalistas de apoio para entender bem isso. Paul ainda inseriu uma bela melodia, tocada numa guitarra melosa ao estilo David Gilmour. Gosto da parte "Good Times Coming", mas não tanto de "Feel The Sun". Falta letra nessa segunda parte. Penso que esse foi um dos motivos de Paul ter unido as duas canções em uma pequeno medley. O refrão é bom, contagiante, simpático e agradável aos ouvidos, mas nada muito além disso. O solo de guitarra novamente salva tudo do lugar comum nos últimos acordes. Eric Stewart sempre um craque com seu instrumento.

"Footprints" tem uma simplicidade cativante. Aquele tipo de música que poderia ser tocada ao lado de uma fogueira na praia, durante um luau. Paul manteve a simplicidade da composição original na gravação de estúdio. Ele também canta a música de forma bem terna, sem qualquer afetação. Outra coisa que salvou a gravação é que Paul afastou qualquer resquício daquele tipo de som bem de acordo com os anos 80, com aqueles sintetizadores incômodos. O resultado ficou bonito. Existem alguns efeitos sonoros, mas bem pontuais e dentro da proposta da canção. Gosto bastante dessa faixa. É um dos bons momentos do álbum.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A Morte de Luís XIV

Bom filme que reconstitui os últimos momentos de vida do Rei francês Louis XIV, o aclamado "Rei Sol", símbolo máximo do absolutismo europeu, o monarca que disse a frase "O Estado sou Eu!". Pois é, aqui o vemos sendo corroído pela gangrena, enquanto um grupo de médicos tenta fazer algo para salvar sua vida. Tudo em vão, porque a medicina da época ainda era bem rudimentar. Até charlatães surgem na corte para tentar algum "tratamento", fazendo o Rei tomar misturas exóticas como esperma de boi, suor de sapo e outras coisas bizarras. Outro fato que chama a atenção é a exótica coleção de perucas reais, pois nem no leito de morte o monarca abriu mão de seu figurino extremamente exagerado. Afinal ele era o "Rei Sol" e como tal deveria brilhar até o fim de sua vida, mesmo que sua perna estivesse apodrecendo pela doença.

Um aspecto inusitado do ponto de vista histórico é que esse mesmo monarca determinou que sua existência seria extremamente pública, nada de levar uma vida privada em seus aposentos. Assim até para tomar uma colher de canja de galinha ela tinha que ser assistido por membros da corte que como bons puxa-sacos o aplaudiam a cada colherada! Algo muito esquisito para os olhos de uma pessoa de nossos dias, mas que em Versalhes fazia parecer algo comum, do protocolo de comportamento dos nobres que faziam parte da corte Bourbon. Todos os momentos, dos mais simples do cotidiano, eram acompanhados por nobres que o assistiam acordar, escovar os dentes, tomar o café da manhã, o almoço, o jantar, tudo sendo presenciado pela corte que formava uma pequena plateia na frente do Rei.

O filme vai fundo no detalhismo, assim o espectador que estiver disposto a saber mais sobre o leito de morte do rei terá praticamente todos os mínimos acontecimentos explorados, porém de certa forma isso também se torna um problema narrativo, pois o que temos o tempo todo é apenas o Rei agonizando em sua cama, enquanto médicos, parentes e membros do clero tentam alguma solução para salvar sua vida. Praticamente não há cenas externas, tudo se passa dentro do quarto. A beleza do palácio de Versalhes nunca aparece, o que achei algo incômodo, pois era uma forma de retratar a grandiosidade daquele Rei que até hoje é lembrado por seus excessos (foi ele aliás que construiu Versalhes e o transformou no palácio real mais luxuoso e brilhante de toda a Europa). Particularmente gostei, mas sou suspeito em minha opinião, pois adoro história de uma maneira em geral. Não sei se o filme terá apelo para pessoas que não estejam tão interessadas assim naquele período histórico da França do século XVIII.

A Morte de Luís XIV (La mort de Louis XIV, França, 2016)  Direção: Albert Serra / Roteiro: Albert Serra, Thierry Lounas / Elenco: Jean-Pierre Léaud, Patrick d'Assumçao, Marc Susini  / Sinopse: O filme mostra os últimos momentos de vida do Rei Luís XIV. Doente em sua cama, com a gangrena comendo parte de sua perna, o monarca conhecido como o "Rei Sol" tenta sobreviver em meio a toda a riqueza e luxo de sua corte fabulosa. Filme premiado pelo Gaudí Awards e Lumiere Awards.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Olhos Famintos 3

O primeiro filme dessa franquia de terror "Jeepers Creepers" até que tinha seu charme. Uma criatura que mais se parecia com um espantalho de plantações de milho, que ganhava vida e saía matando a esmo numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Era o típico filme de monstro, onde ele era colocado nas sombras, no meio da noite, quase nunca surgindo explicitamente. Isso criava um suspense até bem interessante, mesmo que não fugisse muito do clichê desse tipo de produção.

Nesse terceiro filme tudo que era bom no filme original se perde. Colocaram o monstro para atacar em plena luz do dia, se mostrando em demasia, em cenas pouco originais, nada inovadoras. Ele também agora dirige uma velha caminhonete, toda turbinada e cheia de armadilhas mortais. Todos que tentam entrar ou escapar dessa máquina da morte de quatro rodas acaba se dando muito mal.

A produção foi bancada em parte pelo canal Syfy, que diga-se de passagem se especializou nos piores filmes de terror e suspense da atualidade. Basta lembrar daquelas inúmeras produções com tubarões que são uma verdadeira vergonha alheia. Assim nem a presença do diretor e roteirista Victor Salva (que praticamente criou sozinho essa franquia) consegue melhorar as coisas. O saldo é bem negativo. O filme consegue ser pior do que o segundo, que ficava muito resumido ao ataque da criatura a um ônibus escolar. Esse aqui tem uma trama mais diversificada, mas nada que vá salvá-lo da categoria de filme ruim.

Olhos Famintos 3 (Jeepers Creepers 3, Estados Unidos, 2017) Direção: Victor Salva / Roteiro: Victor Salva / Elenco: Stan Shaw, Gabrielle Haugh, Brandon Smith / Sinopse: A cada 23 anos uma estranha criatura alada, proveniente das fossas infernais, volta à Terra, para espalhar terror e morte numa pequena cidade rural do meio oeste americano. Agora está de volta, dirigindo uma verdadeira máquina de terror.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A Biografia de John Wayne - Parte 7

A década de 1940 começou com John Wayne trabalhando ao lado do diretor e mestre do cinema John Ford. Essa foi uma das duplas mais marcantes da história do cinema americano. Juntos fizeram verdadeiras obras primas da sétima arte. O filme se chamou "A Longa Viagem de Volta". Para muitos esse foi o primeiro grande filme em que trabalharam. O papel de Wayne era a de um sueco chamado Ole Olsen. No começo John Wayne pensou em recusar o convite para fazer o personagem, afinal o que ele tinha a ver com um marinheiro sueco?

Para sua sorte acabou sendo convencido por John Ford a se juntar ao elenco. O filme tem ares de drama, mas também não deixando de lado a aventura, afinal era um filme passado dentro de um cargueiro que atravessava os oceanos. Wayne teve um verdadeiro desafio em sua atuação porque o roteiro não se contentava em mostrar a vida no mar, mas também em desenvolver os personagens, mostrando seus pequenos dramas interiores, suas tristezas e melancolias. O diretor John Ford fez excelentes tomadas de cena, usando para isso apenas a beleza natural ao redor, a neblina, a solidão de se trabalhar no meio do oceano, etc.

Ao ser lançado acabou se tornando um campeão de bilheteria. Também agradou bastante à crítica que encheu o filme de elogios. A Academia soube reconhecer o trabalho de John Ford. "A Longa Viagem de Volta" (que no Brasil também se chamou "Tormento no Mar") recebeu seis indicações ao Oscar, entre eles o de melhor filme, melhor roteiro (para o roteirista Dudley Nichols, que imprimiu uma forte carga dramática ao filme como um todo), melhor fotografia em preto e branco (para o diretor de fotografia Gregg Toland, que fez um brilhante trabalho) e música (para o maestro Richard Hageman, cuja orquestração deu um sabor especial para as cenas). Curioso que o filme também foi indicado na categoria de melhores efeitos especiais (para o trio R.T. Layton, Ray Binger e Thomas T. Moulton, que usando maquetes realistas fizeram as cenas em que o cargueiro passava por dificuldades em alto mar).

Depois desse grande êxito, John Wayne voltou ao mar no filme seguinte. Ele interpretava um marinheiro americano nos mares do sul em "A Pecadora". Seu personagem era a de um jovem oficial da marinha dos Estados Unidos que acabava conhecendo uma linda corista em uma das bases do Pacífico. Wayne contracenava com a diva do cinema Marlene Dietrich. Apesar de Wayne estar de quepe e uniforme militar essa não era uma produção de guerra. Os militares estavam lá, porém apenas para se divertir nas casas de shows dos portos por onde passavam. O filme tinha muita música e cenas de apresentações de Marlene Dietrich. De certa maneira era um musical, com Wayne no papel de coadjuvante de luxo. Foi um filme interessante para ele, para ter a chance de fazer algo diferente, porém no geral acrescentou mais para a filmografia de Dietrich do que para a do próprio Wayne. Afinal ela era a grande estrela do filme.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As Vidas de Marilyn Monroe - Parte 19

Billy Wilder teve a ideia de escrever o roteiro de "Quanto Mais Quente Melhor" após assistir a um velho filme alemão. No enredo dois músicos se vestiam de mulheres para escapar da máfia. Wilder mostrou seu projeto para o produtor David Selznick que não gostou nada do que leu. Misturar máfia com comédia, violência com humor, era algo perigoso e nada engraçado em sua forma de entender. Mesmo assim Wilder não desistiu e resolveu produzir ele mesmo o filme. O primeiro contratado foi o ator Tony Curtis, o que não deixou de ser curioso pois Curtis achava que Wilder não gostava dele pessoalmente.

Para o outro papel o estúdio queria muito Frank Sinatra. Um almoço de negócios foi marcado entre ele e o diretor, mas Sinatra não compareceu. Na verdade o cantor desistiu de fazer o filme por causa da ligação do roteiro com mafiosos. Ele já vinha sofrendo comparações por causa de seus amigos no submundo do crime e isso iria reforçar esse tipo de visão na imprensa. Com Sinatra fora, Wilder finalmente conseguiu contratar o ator que queria desde o começo: o comediante  Jack Lemmon.

A entrada de Marilyn Monroe no filme foi uma surpresa para todos. Ninguém estava pensando nela. Quando a atriz soube que Billy Wilder iria dirigir uma comédia com Curtis e Lemmon, decidiu ligar pessoalmente para Billy, se oferecendo para o papel de "Sugar", a bonita garota que tocava na banda só de mulheres! Wilder sabia que a entrada de Marilyn Monroe no filme mudaria tudo, já que ela era uma das maiores estrelas de Hollywood. O diretor sabia bem que Marilyn era complicada de se trabalhar, sempre chegava atrasada, não decorava suas falas e parecia sempre estar insegura. Mesmo com tantas coisas contra sua contratação, o diretor não podia ignorar também o fato de que Marilyn era um grande chamariz de bilheteria, a maior estrela de cinema da época!

O que Wilder não sabia era que Marilyn Monroe e Tony Curtis tinham um passado. Eles foram namorados anos antes. Quem recordou isso foi o próprio ator durante uma entrevista: "Eu cheguei a morar com Marilyn durante seis meses, antes que nos tornássemos famosos. Eu era apenas um jovem contratado pela Universal e Marilyn não conseguia muito trabalho na época. Eu estava apaixonado por ela, então resolvemos morar juntos. Não deu muito certo, mas guardei um certo carinho por ela, por todos aqueles anos. Quando descobri que Marilyn havia entrado no filme pensei que teríamos problemas pela frente! Algo que depois iria se mostrar verdadeiro, mas tudo bem, tudo era válido!".

Pablo Aluísio.

domingo, 12 de novembro de 2017

Fragmentado

Fazia tempo que o diretor M. Night Shyamalan estava devendo um bom filme. Finalmente depois de um hiato de falta de criatividade que durou anos, ele surge com algo realmente bom (diria até muito acima da média). Esse filme "Fragmentado" é um dos melhores que vi esse ano. Roteiro bem encaixado e o mais importante de tudo: um verdadeiro show de interpretação do ator James McAvoy. Ele interpreta um sujeito com problemas mentais, que sofre de um distúrbio que o faz desenvolver várias personalidades diferentes. Esse tema já havia sido explorado antes pelo cinema. Basta lembrar do clássico "As Três Faces de Eva", mas agora ganha contornos mais sinistros e sombrios.

Pois bem, ao longo do dia várias personas vão surgindo, desde um delicado jovem e afeminado, que sonha ser estilista, passando por Dennis, um sujeito dominador e obcecado por limpeza, até Patrícia, uma mulher que de certa maneira reflete a própria mãe repressora que ele teve na infância. Kevin (seu nome real) faz tratamento com uma psiquiatra que quer escrever uma tese sobre seu distúrbio e tudo caminha relativamente bem, até que em um surto ele decide cometer um crime, sequestrando e aprisionando três garotas nos porões de um Zoo abandonado. Imagine a aflição das jovens ao ter que lidar com esse sujeito que muda de personalidade várias vezes ao longo do dia. Tudo se torna ainda mais imprevisível e elas precisam acima de tudo sobreviver a esse alucinado jogo mortal.

M. Night Shyamalan não está preocupado em mostrar os detalhes e as nuances desse problema mental de seu protagonista. Faz bem, ao contrário disso ele explora o suspense de um típico produto pop de qualidade. Até abre margem para um elo de ligação com outro filme seu, "Corpo Fechado". Tudo muito bem escrito e elaborado, porém nada disso daria certo se não contasse com um ator inspirado no papel principal. E é justamente isso que James McAvoy prova com sua atuação. Ele está perfeito e dá realmente um show de interpretação, se transformando a cada nova personalidade. Sem dúvida esse é o filme de sua vida, aquele em que ele demonstra todo o seu talento. Imperdível para quem gosta da arte de atuar.

Fragmentado (Split, Estados Unidos, 2016) Direção: M. Night Shyamalan / Roteiro: M. Night Shyamalan / Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Haley Lu Richardson, Betty Buckley, Brad William Henke / Sinopse: A Dra Karen Fletcher (Betty Buckley) atende todos os dias um paciente que sofre um distúrbio que lhe dá várias personalidades. Agora ela percebe que duas das personalidades estão dominando todas as outras. Dennis e Patrícia são pessoas frias, violentas e com traços de psicopatia. Pior, elas sequestraram três jovens garotas e as mantém como reféns nos poróes abandonados de um Zoo sinistro.

Pablo Aluísio.

sábado, 11 de novembro de 2017

S.W.A.T.

"S.W.A.T." foi uma série policial de sucesso dos anos 70. Desde seu cancelamento em 1979 sempre se tentou revitalizar essa marca. Houve um filme fraco nos anos 90 que não fez muito sucesso. Agora o canal CBS tenta mais uma vez, novamente no formato de série. O primeiro episódio mostra o grupo precisando lidar com uma situação delicada. Durante uma operação um garoto negro morre, baleado por um dos policiais. Ele é demitido e a trágica morte gera revolta na população negra da cidade. Para acalmar os ânimos o chefe do departamento de polícia resolve nomear o sargento Hondo, que também é negro, como o novo comandante da unidade especial. Ele assim passa a servir como relações públicas e exemplo da política de afirmação social da polícia.

O que posso dizer? Pelo que se vê no piloto até que é uma boa série policial, porém sem fugir da realidade do "enlatado americano". Até aí tudo bem, já que a série original também era enlatada. A questão é que a série provavelmente não terá muito sucesso se focar apenas na pura ação. Tem que explorar os personagens, suas histórias, para dar certo. Basta olhar para séries parecidas como "Rookie Blue" e "Southland" que também eram enlatados, mas que tiveram muitas temporadas porque investiram bastante no carisma dos principais personagens, mostrando suas vidas pessoais longe das fardas policiais. Se essa nova SWAT for apenas um grupo de policiais durões colocando a bandidagem atrás das grades vai ter pouca duração. Tem que ir pelo caminho da dramaticidade para sobreviver.

S.W.A.T. (Estados Unidos, 2017) Direção: Billy Gierhart, Eagle Egilsson, Justin Lin  / Roteiro:  Shawn Ryan, Aaron Rahsaan Thomas / Elenco: Shemar Moore, David Lim, Stephanie Sigman, Kenny Johnson, Alex Russell / Sinopse: A série mostra um grupo de policiais da unidade tática especial (conhecida pela sigla SWAT) que combate o crime nas ruas de uma grande cidade norte-americana. Remake da popular série dos anos 70.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Elvis Presley - Elvis (1973) - Parte 2

Durante o lançamento desse disco falou-se muito da faixa  "I'll Take You Home Again, Kathleen". A gravação trazia Elvis ao piano, sozinho, em belo momento de introspecção. Sem querer desmerecer o trabalho de Elvis, o fato é que essa música foi registrada quase por acaso, um ensaio, que aos poucos Elvis foi se empenhando. Era uma antiga canção que Elvis gostava de tocar ao piano desde os anos 50. Ele a tocou bastante inclusive nos tempos do exército, quando estava prestando serviço militar na Alemanha.

O produtor Felton Jarvis reconheceu os esforços de Elvis para soar diferente dentro do estúdio e resolveu intervir o mínimo possível, deixando de lado todos aqueles arranjos orquestrais, que para muitos, soava exagerados, tirando a atenção do ouvinte daquilo que era o mais importante ao se ouvir um disco do cantor, sua bela voz e a emoção que procurava transmitir em cada sílaba, em cada momento da canção. O curioso é que apesar de Elvis apreciar bastante essa música nunca a levou para os palcos, nem para dar uma canja ao piano, como fazia com "Unchained Melody". Qual era o problema? Será que tinha receios de falhar nas teclas? Não sabemos.

A faixa "Don't Think Twice, It's All Right" também foi uma espécie de ensaio que deu certo, que a RCA Victor decidiu aproveitar no álbum. Na verdade tudo se tratava de um momento ao melhor estilo Jam Session, com Elvis interagindo e brincando com a sua banda, a famosa TCB Band (a sigla TCB vinha do lema de Elvis, "Tomando conta dos negócios" que para os mais cínicos era uma auto ironia, pois Elvis nem sempre tomava mesmo conta de seus negócios). Mas enfim, na realidade só depois de muitos anos os fãs puderam ouvir a gravação inteira, com quase 8 minutos de duração. Aqui no disco oficial a RCA aproveitou apenas um pequeno trecho, quase como se fosse uma amostra grátis (ou não tão grátis) do que havia sido gravado mesmo dentro do estúdio.

"Padre" por sua vez era uma baladona ultra sentimental, com aquele tipo de sentimentalismo despudorado que Elvis algumas vezes gostava de trazer aos seus discos, principalmente nos anos 70, quando finalmente se sentiu mais livre para escolher as músicas que iria cantar. A letra, tremendo dramalhão, inicialmente contava a estorinha de um homem que relembrava seu casamento, os momentos felizes no altar e depois na primeira casa em que moravam. Tudo lindo e maravilhoso. Depois disso o drama, o desastre. Ele chorava o fim do casamento pois ela a trocara por um outro homem! Semelhanças demais com a própria vida pessoal de Elvis, não é mesmo? Era um desabafo de um homem traído para com o padre que o havia casado! Ora, ora, quem diria...

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

The Deuce

Série nova produzida pelo canal HBO. O roteiro foca em um momento de Nova Iorque bem específico, durante os anos 70. Numa parte da cidade havia toda uma série de problemas urbanos, como prostituição de rua, pornografia barata e crimes. Esse quadro durou até os anos 90 quando a política da tolerância zero fez uma limpeza na cidade, principalmente nos lugares mais decadentes, dominados pela máfia italiana. James Franco, que também é um dos produtores, interpreta dois irmãos gêmeos. Um ganha a vida como barman de uma espelunca local, o outro é um jogador viciado que está´sempre devendo dinheiro para mafiosos do baixo clero, que por causa disso estão sempre o ameaçando de morte.

A série também tem como uma das personagens principais uma prostituta interpretada pela atriz Maggie Gyllenhaal. Mãe solteira, desempregada, ela começa a fazer ponto de prostituição na frente de cinemas falidos e pequenos hotéis onde por apenas 5 dólares um cliente poderia levá-la para um programa rápido. Ela não aceita ser controlada pelos cafetões da rua e isso causa uma certa tensão. Depois, mais tarde, ela descobre o mercado ilegal de pequenas produções pornográficas e resolve aos poucos investir nesse ramo. O roteiro assim dá um panorama geral no mundo barra pesada de Nova Iorque do passado. É uma boa produção, com reconstituição de época bem feita e temática marginal. Só mesmo um canal como a HBO poderia produzir algo assim. Definitivamente esse tipo de programa não passaria em um canal aberto. Enfim, não assisti ainda todos os episódios da primeira temporada, mas os que vi são acima da média, bem recomendados.

The Deuce (Estados Unidos, 2017) Direção: James Franco, Michelle MacLaren, Uta Briesewitz / Roteiro: George Pelecanos, David Simon / Elenco: James Franco, Maggie Gyllenhaal, Kevin Breznahan,  Ralph Macchio / Sinopse: A série explora o lado mais marginal e decadente de Nova Iorque dos anos 70, onde convivia-se com a prostituição, as drogas e a exploração sexual das mulheres, nos becos mais perigosos e escuros da grande metrópole.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Thor: Ragnarok

Muita gente reclamou, muitos não gostaram, mas irei contra a opinião predominante. Eu gostei dessa nova aventura do Thor nos cinemas. Na minha forma de ver esse filme resgata o espírito dos primeiros quadrinhos do personagem, os que foram publicados ainda nos anos 60, assinados por Stan Lee e Jack Kirby. Tudo é colorido, movimentado, priorizando a diversão acima de qualquer outra coisa. Exatamente o que se encontrava nas primeiras edições da Marvel. Nada de conceitos mais elaborados ou de filosofia de botequim. Tudo foi planejado e realizado pensando-se principalmente no público mais jovem, nas crianças, exatamente porque a Marvel sabe que o futuro de sua empresa passa pela formação de uma nova geração de leitores. Os mais velhos torceram o nariz? Ora, o filme não foi feito para eles mesmo.

O enredo é bem simples: a filha mais velha de Odin (Anthony Hopkins), chamada Hela (Cate Blanchett), volta para reivindicar o trono do pai. Ela é a Deusa da Morte, o que significa que está disposta a eliminar qualquer ameaça que surja pela frente. A única força capaz de parar suas ambições seria justamente o Deus do Trovão Thor (Chris Hemsworth), mas ele, por sua vez, está tentado resolver seus próprios problemas, pois foi preso em um estranho planeta, feito gladiador para lutar nas arenas, onde acaba enfrentando, vejam só, o Hulk (Mark Ruffalo)! Parece mesmo estranho, até pueril o enredo, mas foi justamente essa a intenção dos roteiristas. É um roteiro que poderia facilmente ter sido escrito por Stan Lee, com ilustrações de Jack Kirby. O traço desse desenhista aliás foi a fonte de inspiração da direção de arte desse filme, com muitas cores e exageros, típicos dos quadrinhos dos anos 60. Por causa dessa referência histórica e artística, o filme se mantém bem até o final, quando finalmente surge no horizonte o tal  Ragnarok, o apocalipse dos deuses! Tudo muito divertido, leve e saboroso! Em nenhum aspecto achei o filme ruim, muito pelo contrário, ele é mais honesto com o verdadeiro Thor original dos quadrinhos do que qualquer outra produção que tenha sido feita com o personagem. Está tudo muito adequado. Assista e se divirta sem culpas. 

Thor: Ragnarok (Estados Unidos, 2017) Direção: Taika Waititi / Roteiro: Eric Pearson, Craig Kyle, baseados na obra de Stan Lee / Elenco: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Jeff Goldblum, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins, Karl Urban, Tessa Thompson / Sinopse: A primogênita de Odin está de volta. Exilada por milênios nas sombras, a Deusa da morte Hela quer vingança. Sua intenção é assumir o trono do pai em Asgard, mas para que isso aconteça precisará enfrentar os irmãos Thor e Loki.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.