sábado, 22 de julho de 2017

The Doors - L.A. Woman - Parte 1

Jim Morrison já estava completamente destruído por todos os excessos quando os Doors se reuniram para a gravação de mais um álbum - que iria se tornar o último com o Rei Lagarto nos vocais. Esse disco, todos os fãs sabem, bem poderia se chamar "The Doors Blues Album" porque realmente a levada é de homenagem ao bom e velho blues. Jim estava particularmente interessado no ritmo e não era apenas porque frequentava todos os dias bares de blues em Los Angeles para encher a cara ao lado de seus parças  caminhoneiros e motoqueiros. O sucesso do disco anterior, "Morrison Hotel", se tornou um inegável êxito de público e crítica, abrindo o caminho para esse tipo de som, se mostrando bem viável para Jim e seus colegas de banda.

De todas as faixas uma das mais representativas é justamente essa "Crawling King Snake". Esse é um blues antigo, clássico, um verdadeiro standart. Presume-se (ninguém tem certeza) que a canção foi composta por cantores de blues de cabarés na década de 1920. Só depois vieram as primeiras gravações. Naquela época os compositores e cantores de blues eram considerados vagabundos, artistas que vendiam suas criações em troca de uma garrafa de whisky, as gravando em pequenos estúdios do tipo fundo de quintal. Assim as origens de músicas como essa acabavam se perdendo nas areias do tempo. A versão de Morrison bebe diretamente (sem trocadilhos infames, por favor!) da gravação de John Lee Hooker dos anos 1940. Em minha opinião essa versão dos Doors é inclusive superior às gravadas por Howlin' Wolf e Muddy Waters, Um registro excelente, com muita alma e espírito (provavelmente vindo diretamente das entidades que norteavam a mente do embriagado Morrison). Melhor do que isso, impossível.

Outro blues, "The Changeling", foi escolhida para abrir o álbum. Aqui Jim Morrison fez um pedido inusitado. Ele queria um arranjo diferenciado, algo que remetesse aos velhos bares de beira de estrada da Louisiana. Assim o produtor da Elektra Records criou um som bem diferente mesmo. Um crítico do New York Times chegou a dizer que a música tinha um som que fazia lembrar uma serpente ou uma cobra à beira da estrada. Jim que adorava répteis provavelmente adorou esse sentido, essa interpretação. Na letra Jim incorpora um andarilho, um homeless (sem-teto)! Um sujeito livre, que vive em todos os lugares em troca de alguns trocados dados pelos transeuntes. Nada das velhas amarras da sociedade. Jim Morrison sempre teve um interesse a mais nos que viviam à margem, os ditos marginalizados pelo status quo.

"The WASP (Texas Radio and the Big Beat)" soava por sua vez como se você estivesse dirigindo por alguma estrada do Texas e sintonizasse uma rádio de blues no dial. A sigla WASP era uma referência aos brancos, aos protestantes, aos anglo-saxões, considerados "a nata" da sociedade americana. Essa sigla inclusive foi usada por organizações racistas para classificar o que era um "verdadeiro americano", pessoas bem acima do restante da escória, ou seja, dos negros, dos latinos, dos imigrantes e de todos aqueles que não se enquadrassem na visão racista e canalha da Klan. Jim obviamente usou o WASP como ironia, como crítica, como uma forma de debochar da mentalidade dessa gente. Jim incorpora um DJ na música e declama versos como esse: "Os negros brilhantemente enfeitados na selva / Estão dizendo "Esqueçam as noites" / Vivam conosco na floresta azulada / Aqui fora no perímetro não há estrelas / Aqui estamos petrificados - imaculados.". Morrison estava particularmente inspirado para escrever letras nesse disco.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O Julgamento de Nuremberg

Título no Brasil: O Julgamento de Nuremberg
Título Original: Nuremberg
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: British American Entertainment, TNT
Direção: Yves Simoneau
Roteiro: Joseph E. Persico, David W. Rintels
Elenco: Alec Baldwin, Max von Sydow, Brian Cox, Christopher Plummer, Michael Ironside, Charlotte Gainsbourg

Sinopse:
Após o fim da II Guerra Mundial o promotor Robert H. Jackson (Alec Baldwin) é designado para acusar os principaís líderes do nazismo que ainda estavam vivos, entre eles o Reichsmarschall Hermann Göring, um dos braços direitos do Führer Adolf Hitler. Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Telefilme, Melhor Ator (Alec Baldwin) e Melhor Ator Coadjuvante (Brian Cox).

Comentários:
O julgamento de Nuremberg já foi usado como tema para vários filmes (alguns deles clássicos, inclusive), documentários e séries. Foi um julgamento marcante porque os principais nazistas foram levados ao tribunal justamente nesse momento histórico. Os principais líderes que sobreviveram foram julgados nesse julgamento. Claro que todos esperavam ver Hitler perante um tribunal, respondendo por seus crimes contra a humanidade, mas ele se suicidou antes disso. Ele não queria ser exposto como troféu pelos aliados, vencedores da guerra, numa jaula, como ele mesmo disse antes de estourar seus miolos. Assim resolveu dar um tiro na cabeça, deixando ordens expressas de incinerarem seu corpo com gasolina, no lado de fora de seu Bunker em Berlim. Hoje em dia, do ponto de vista jurídico, o julgamento de Nuremberg é considerado um erro. Existe um fundamento em direito chamado de princípio do juiz natural, que impede que órgãos judiciários sejam formados para julgar um caso específico. Foi justamente o que aconteceu em Nuremberg. O poder judiciário deve pré existir aos crimes e aos casos levados a julgamento e não serem constituídos para julgar determinados criminosos. Em Nuremberg um tribunal foi formado às pressas justamente para julgar os nazistas do III Reich. Os vencedores da guerra julgando os perdedores. Nesse processo se perde a imparcialidade, tão importante como princípio jurídico fundamental. De qualquer maneira, pelo fato de termos uma situação extrema, até se pode justificar um pouco a formação desse tribunal ad hoc!. Deixando esses problemas jurídicos de lado, temos aqui um bom filme (ou melhor dizendo, telefilme). No Brasil foi lançado em VHS, mas nos EUA ele foi exibido em dois episódios pelo canal TNT. Vale por resgatar essa história. Em termos de produção também não há nada o que reclamar. Tudo ok, com boa precisão histórica, bem fiel aos fatos reais.

Pablo Aluísio.

O Poderoso Chefinho

Título no Brasil: O Poderoso Chefinho
Título Original: The Boss Baby
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos
Estúdio: DreamWorks Animation
Direção: Tom McGrath
Roteiro: Michael McCullers, Marla Frazee
Elenco: Alec Baldwin, Steve Buscemi, Jimmy Kimmel, Lisa Kudrow, Tobey Maguire

Sinopse:
O jovem Tim (Tobey Maguire) começa a relembrar seu passado, sua infância, quando tudo era perfeito. Filho único, a atenção de seus pais era toda voltada para ele, até o dia em que ele descobre que terá um irmãozinho. E conforme ele mesmo vai descobrir Boss Baby (Alec Baldwin) definitivamente não é um bebezinho comum! Filme premiado no Animator (International Animated Film Festival).

Comentários:
Nova animação do estúdio DreamWorks. A companhia aliás investiu pesado pois esse filme custou a bagatela de 125 milhões de dólares (um orçamento digno de grandes produções). O resultado tem sido muito bom nas bilheterias, já sendo considerado um dos sucessos da temporada. Uma boa notícia para a DremWorks que estava mesmo precisando de um sucesso nesse concorrido mercado de animações. Deixando de lado esses aspectos comerciais, a boa notícia é saber que o resultado realmente ficou muito bom. O roteiro explora a chamada "Síndrome do irmão mais velho", quando a chegada de um bebezinho tira o irmão mais velho do centro das atenções de seus pais. Obviamente o roteiro trata disso da forma mais bem animada que existe, entrando na mente muito imaginativa do garotinho. Outro ponto positivo vem da trilha sonora. Escolheram a bela balada "Blackbird" dos Beatles como tema central. Nada mais adequado. Outro ícone do rock, Elvis Presley, também não foi deixado de lado. Há uma cena muito divertida e engraçada quando os dois irmãos precisam pegar um avião para Las Vegas no aeroporto e encontram uma multidão de covers de Elvis, agindo da maneira mais afetada possível, com direito a bocas tortas e todos aqueles maneirismos que já conhecemos bem. O filme assim vai divertir tanto as crianças (o enredo trata de um tema universal que elas vão se identificar) como aos pais (que terão pelo menos uma trilha sonora legal para ouvir). Claro que pelo sucesso alcançado e pelo excelente argumento usando a amizade de dois irmãos essa animação provavelmente terá continuação. Porém como a estorinha se fecha muito bem em si, seria melhor não fazer nenhuma sequência. Essa animação já é muito criativa e bem feita. Não precisa de continuação.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O Planeta dos Macacos

Título no Brasil: O Planeta dos Macacos
Título Original: Planet of the Apes
Ano de Produção: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Tim Burton
Roteiro: Pierre Boulle, William Broyles Jr
Elenco: Mark Wahlberg, Helena Bonham Carter, Tim Roth, Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti, Kris Kristofferson

Sinopse:
Depois de um incidente com sua missão espacial o capitão Leo Davidson (Mark Wahlberg) chega em um estranho planeta, onde os macacos falam e são mais desenvolvidos do que os seres humanos, tratados como verdadeiros animais irracionais e primitivos. Filme indicado ao BAFTA Awards nas categorias de Melhor Figurino (Colleen Atwood) e Melhor Maquiagem (Rick Baker, Toni G e Kazuhiro Tsuji).

Comentários:
Muita gente não gostou desse remake de Tim Burton. Eu vou contra a corrente. Desde a primeira vez que assisti gostei desse novo "Planet of the Apes". Claro, não vou comparar com o clássico de 1968, pois esse continua imbatível (sendo melhor até do que os filmes mais recentes). Dito isso devo dizer que Tim Burton realmente fez um bom trabalho nessa produção de 2001. O filme, como era de se esperar em qualquer obra assinada por Burton, tem um design de produção excelente, uma fantástica direção de arte. Claro que muitos reclamaram de partes do roteiro, como na tão falada cena final com a estátua de Lincoln como macaco, mas o que isso no final realmente importa? É um clímax aberto a todos os tipos de interpretações e isso é algo positivo e não negativo. Filmes com finais fechadinhos demais são cansativos. Deixar a porta aberta pode trazer debates interessantes, visões diferentes, etc. A arte serve justamente para esse tipo de coisa. No mais é um filme que vale a pena ter na coleção. Há cenas realmente excelentes, como a que inspirou o próprio poster original. Até mesmo Mark Wahlberg está bem e olha que na época ele era bem mais limitado do que hoje em dia. Além disso o elenco de apoio é mais do que bacana, contando com o ótimo Paul Giamatti, o gigante simpático Michael Clarke Duncan e até o cantor country travestido de ator Kris Kristofferson. Em suma, gostei na época que chegou aos cinemas e continuo gostando hoje em dia. Esse pode ser considerado sem favor nenhum um dos bons filmes do controverso Tim Burton. Sua visão dark combinou muito bem com o universo criado por Pierre Boulle.

Pablo Aluísio.

Taboo - Episode 1.01

Série: Taboo 
Episódio: Episode #1.1
Ano de Produção: 2017
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: British Broadcasting Corporation (BBC)
Direção: Kristoffer Nyholm
Roteiro: Steven Knight, Tom Hardy
Elenco: Tom Hardy, Leo Bill, Oona Chaplin, Richard Dixon, Edward Fox, Jonathan Pryce, Nicholas Woodeson
  
Sinopse e comentários:
Nova série, uma parceria entre o canal inglês BBC e a Scott Free Productions, a produtora do diretor Ridley Scott. A estória se passa nos tempos da guerra de independência dos Estados Unidos. Depois de ser dado como morto durante uma expedição na África, o explorador e aventureiro James Keziah Delaney (Tom Hardy) ressurge em Londres para o funeral de seu pai. O velho trabalhou por anos para a Companhia das Índias orientais e numa dessas viagens ele acabou comprando um vasto território nas colônias americanas, um pedaço de terra que agora ganha especial importância por causa da guerra entre os revolucionários do novo mundo e o império britânico. Acontece que com a morte de seu pai, James Delaney acaba herdando tudo. Isso o coloca na mira da companhia que precisa ter em mãos o controle sobre aquela propriedade de qualquer jeito.

Essa nova série "Taboo" já me causou boa impressão desde esse primeiro episódio. A reconstituição de época é muito boa e o clima é de puro realismo. O personagem de Tom Hardy é um sujeito que carrega um certo mistério sobre si mesmo. Ninguém sabe ao certo como ele sobreviveu ao naufrágio de seu barco anos atrás, uma tragédia que custou a vida de todos os marinheiros. O que se sabe porém com certeza é que ele é um sujeito durão, casca grossa, que não está nada disposto a abrir mão de sua herança em prol da companhia pelo qual seu pai trabalhou. A Londres que surge nesse episódio também foi muito bem recriada, escura, suja, lotada da pior escória da sociedade. Apenas sujeitos como Delaney conseguiriam sobreviver em tamanha podridão. É sórdido, é cruel, é Taboo, uma nova série para acompanhar com olhos de lince.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

The Young Pope - Episode 1.10

Série: The Young Pope
Episódio: Episode #1.10 
Ano de Produção: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Home Box Office (HBO), Canal+
Direção: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino, Umberto Contarello
Elenco: Jude Law, Diane Keaton, Silvio Orlando, James Cromwell, Javier Cámara, Scott Shepherd,
  
Sinopse e comentários:
Essa série caminhou muito bem... até esse episódio final (final mesmo, a série acaba aqui!). Os roteiros foram bem escritos de uma maneira em geral, com uma ou outra bobeirinha no meio dos episódios. O mais bizarro de tudo foi investir na figura de um Papa chamado Pio XIII (nome que aliás poderá ser adotado em algum momento da história) que foge completamente dos padrões da igreja católica. Ele não quer aparecer em público, evita exibições e aparições públicas (por achar puro exibicionismo) e abomina os holofotes. Ao invés disso acaba adotando uma retórica dura (dura demais para a maioria dos fiéis!). A série também insinua que ele teria o dom dos milagres, curando pessoas à beira da morte ou então fazendo com que casais com problemas de fertilidade tenham filhos!

Esse episódio final tem algumas cenas extremamente interessantes, como aquela em que Pio XIII se vê diante de todos os papas do passado, ali, materializados ao seu lado! São facilmente identificáveis os papas João XXIII (o Papa Bondoso) e Júlio II (um dos mais famosos Papas imperadores da história). Pena que diante de uma ideia tão boa os roteiristas não tenham explorado mais esse estranho encontro sobrenatural de uma forma mais criativa, explorando mais a situação surreal! Dito isso devo também dizer que achei a cena final um tanto decepcionante (principalmente com aquele globo terrestre, bem fraquinho, beirando a breguice!). Mesmo assim com esse tropeção final não vou deixar de elogiar "The Young Pope". Particularmente gostei mesmo da série e olha que me considero um bom católico. Não ofendeu a fé das pessoas e nem virou galhorfa. Valeu a pena ter acompanhado os dez episódios. Na pior das hipóteses foi uma série inteligente e divertida.

Pablo Aluísio.

Corpo Fechado

Título no Brasil: Corpo Fechado
Título Original: Unbreakable
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright, Spencer Treat Clark, Charlayne Woodard, Eamonn Walker

Sinopse:
David Dunne (Bruce Willis) consegue sair vivo de um grande desastre de trem. Qual seria o segredo de sua sobrevivência? Por que ele não morreu como todos os demais passageiros? O fato chama a atenção de Elijah Price (Samuel L. Jackson), que começa a ir atrás dos segredos de Dunne. O que ele acaba descobrindo o deixa completamente surpreso.

Comentários:
Afinal o diretor M. Night Shyamalan é um gênio do cinema ou um grande farsante? Quando ele começou a chamar a atenção com seus filmes muitos críticos perderam o bom senso e começaram a rotular o cineasta indiano de "O novo Alfred Hitchcock" e outras comparações bobocas, sem noção! A verdade é que M. Night Shyamalan tem obviamente bastante talento, faz bons filmes, mas também é muito irregular. Ele pode fazer um filme marcante, como também uma bomba enorme! Esse "Unbreakable" fica no meio termo. Eu particularmente nunca cheguei a gostar muito do filme. Provavelmente a surpresa do final foi estragada quando vi o filme pela primeira vez porque um amigo acabou me dando um daqueles spoilers mortais, que acabam entregando tudo. Mesmo assim ainda acredito que não ficaria muito impressionado pela tal reviravolta final. Ao contrário disso achei o filme até bem chatinho, maçante, com Bruce Willis em um papel que beira a antipatia. Usando um capuz cinza praticamente o filme inteiro, seu personagem me pareceu bem sorumbático, apesar de ter características heroicas, ou qualquer coisa nesse sentido. Já Samuel L. Jackson, interpretando um sujeito cujos os ossos se quebram com extrema facilidade, acabou se dando melhor, apesar de ser tecnicamente o vilão do filme. Enfim, um roteiro que tenta se inspirar nas histórias em quadrinhos, mas que na minha opinião só acabou sendo mesmo um filme meramente irregular.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Meu Vizinho Mafioso

Título no Brasil: Meu Vizinho Mafioso
Título Original: The Whole Nine Yards
Ano de Produção: 2000
País: Estados Unidos
Estúdio: Franchise Pictures
Direção: Jonathan Lynn
Roteiro: Mitchell Kapner
Elenco: Bruce Willis, Matthew Perry, Rosanna Arquette, Michael Clarke Duncan, Natasha Henstridge, Amanda Peet

Sinopse:
Jimmy Tudeski (Bruce Willis) é um assassino profissional, membro de uma infame família mafiosa. Para sair um pouco da mira de inimigos ele acaba alugando uma casa no subúrbio, onde vira vizinho do dentista Nicholas "Oz" Oseransky (Matthew Perry). Para surpresa de ambos os dois parecem estar no alvo de matadores!

Comentários:
Ok, Bruce Willis é sim um comediante talentoso, ou melhor escrevendo, ele pelo menos foi um comediante talentoso. Digo isso com experiência de causa, pois conheci Bruce Willis não como um brutamontes armado até os dentes, mas sim como um charmoso (e engraçado) detetive na série "A Gata e o Rato" (que era exibido na Globo durante os anos 80). Assim não ficaria desconfortável com Willis fazendo humor, pelo contrário, ficaria com nostalgia. O problema surge quando o roteiro não tem graça. Aí fica complicado. Embora Willis seja um ator com ótimo feeling de humor, pouca coisa se salva nesse "The Whole Nine Yards". Embora tenha sido lançado nos cinemas na época, no circuito comercial brasileiro, preferi esperar seu lançamento no mercado de vídeo. Estava com um pé atrás. E realmente é um filme bem mais ou menos, onde é necessária uma cumplicidade fora do comum para gostar. Nem a presença de Bruce Willis, de volta às comédias, nem o bom elenco de apoio, salvam o filme do fiasco. É bem chatinho, forçado, insistindo numa piada só! Ruim, enfim. O curioso é que comercialmente a fita foi bem, ganhando inclusive uma sequência, essa porém bem pior do que o primeiro filme. O que já era ruim aqui, piorou ainda mais no péssimo "Meu Vizinho Mafioso 2". Simplesmente fuja dos dois!

Pablo Aluísio.

Paul McCartney - Press to Play - Parte 1

Em 1986 Paul lançou mais um álbum, intitulado "Press To Play". As reações não foram tão boas como em outros discos de sua carreira solo. Isso era até previsível pois Paul vinha de uma sucessão de grandes discos nos anos 80. Basta lembrar de "Tug of War" (provavelmente seu melhor trabalho após os Beatles) e até mesmo "Pipes of Peace" (que trazia nada mais, nada menos, do que Michael Jackson como artista convidado). Assim as expectativas estavam altas demais para qualquer novo lançamento de músicas inéditas assinadas por Paul.

A música de trabalho desse novo disco foi "Press". A canção ganhou um cilp (como era de praxe na época) e foi bastante divulgada nas rádios. Acabou virando um hit, porém curiosamente não ficou tão marcada na carreira de McCartney como tantos outros clássicos. Ele nunca a tocou ao vivo e nem a trouxe de volta aos seus shows. De certa maneira é aquele tipo de faixa que ficou parada mesmo lá nos anos 80. Isso porém não significa que seja uma música ruim ou fraca. Longe disso. "Press" tem um ótimo arranjo, com destaque para a participação do músico brasileiro Carlos Alomar, em um brilhante solo de guitarra. A gravação é de alto nível, beirando o perfeccionismo, como é comum nos trabalhos de Paul McCartney.

Outra canção que merece destaque é "Angry". Ao contrário de "Press" ela não foi trabalhada por Paul para ser tocada nas rádios e nem virou sucesso na época. Acabou circulando apenas entre os fãs dos Beatles e de Paul que compraram o LP. De certa maneira ela tem uma sonoridade que lembra o punk inglês dos anos 70, mas com uma pitada dos velhos sucessos do rock´n´n roll em seus primórdios, lá nos anos 50, quando os primeiros singles desse novo gênero musical chegavam nas lojas. Em um disco com pouco mais de dez faixas afirmo que há pelo menos quatro grandes momentos (o que convenhamos não deixa de ser uma boa média). Uma das faixas que foram injustamente subestimadas e caíram no esquecimento foi justamente esse rock com espírito anos 50 chamado "Angry".

A gravação inclusive me lembra uma jam session por parte de Paul e seu grupo de apoio (contando, olhem só, com Pete Townshend na guitarra e Phil Collins na bateria!). É bom salientar que isso não é um defeito, mas um mérito, simplesmente porque nem sempre uma grande produção garante uma grande música. Muitas vezes a simplicidade é tudo em uma faixa como essa! Tirando os vocais típicos do Wings (que nos remete aos anos 70) tudo o mais me faz lembrar das velhas gravações dos tempos da Sun Records ou até mesmo antes disso! O ritmo é bem envolvente e a letra, sucintamente simplória, completa ainda mais o quadro nostálgico. Só resta saber como um quarentão como Paul na época ainda encontrou toda essa energia adolescente revoltosa e rebelde em plenos anos 80! Ponto para o bom e velho Sir Macca e sua eterna juventude roqueira. É assim que se faz meu caro...

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Victoria

A TV britânica traz todos os anos novas séries, todas caracterizadas por desfilar uma elegância e sofisticação que não se encontra nas séries americanas. Esse canal ITV é um dos melhores, realçando ainda mais esse tipo de característica. Depois do grande sucesso de "Downton Abbey" temos mais uma série produzida na mesma linha, só que ao invés de mostrar uma família aristocrática aqui o destaque vai para a história de uma das grandes rainhas da Inglaterra, Victoria. Ela deu nome a todo um período da história britânica (que passou a ser conhecida como Era Vitoriana), mas na série o que vemos é uma jovem de 18 anos, muito inexperiente, que se vê de repente na linha de sucessão do trono inglês.

Após a morte de seu tio ("O Rei está morto, viva o Rei!") a jovem Alexandrina assume a coroa. Ela assume o nome dinástico Victoria e começa seu reinado. No começa sua inexperiência e pouca idade começam a atrapalhar, como era previsível. Pequenas intrigas palacianas, principalmente uma fofoca envolvendo seu padrasto, acabam minando de certa maneira a sua popularidade entre os súditos. Os próprios nobres não estão muito convencidos que aquela jovenzinha pode um dia se tornar uma grande rainha. A monarquia entra assim em um momento delicado de sua história.

A rainha é interpretada pela atriz Jenna Coleman, nascida em Blackpool. No começo das filmagens os produtores até mesmo cogitaram escalar uma americana para o papel, mas seria demais para a cabeça dos ingleses ver uma ianque interpretando uma das mais queridas monarcas de sua história. Sabiamente voltaram atrás e escolheram uma atriz carismática, de nacionalidade certa, para dar vida à Victoria. Bonita, até parecida fisicamente com a rainha em seus anos de juventude, gostei muito de seu trabalho de atuação. Quem rouba as atenções porém no quesito atuação é o ator Rufus Sewell. Ele interpreta o primeiro ministro, Lord Melbourne, um político experiente, mais velho, que acaba se tornando o braço direito da jovem rainha (ela inclusive chega a nutrir uma paixão disfarçada por ele!). Enfim, desde o primeiro episódio já percebemos que essa série é realmente acima da média, para acompanhar com a devida atenção.

Victoria (Inglaterra, 2016) Direção: Oliver Blackburn, Sandra Goldbacher, Lisa James Larsson / Roteiro: Daisy Goodwin, A.N. Wilson, Guy Andrews / Elenco: Jenna Coleman, Rufus Sewell, Daniela Holtz, Adrian Schiller / Sinopse: O filme mostra os primeiros anos de reinado da Rainha Victoria (Coleman). Após a morte de seu tio, o Rei, ela se torna a nova Rainha da Inglaterra, com apenas 18 anos de idade. No começo nem seus próprios súditos, nobres em geral, conseguem confiar em seu sucesso como a nova monarca, mas aos poucos Victoria vai demonstrando seu valor no trono do império britânico.

Pablo Aluísio.

O Povo Contra Larry Flint

Título no Brasil: O Povo Contra Larry Flint
Título Original: The People vs. Larry Flynt
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Milos Forman
Roteiro: Scott Alexander, Larry Karaszewski
Elenco: Woody Harrelson, Courtney Love, Edward Norton, Crispin Glover, Brett Harrelson, Donna Hanover

Sinopse:
Para superar seus problemas financeiros um pequeno comerciante chamado Larry Flynt (Woody Harrelson) resolve investir no ramo da pornografia, considerada até aquele momento um crime pelo Estado. Ao longo dos anos ele conseguirá erguer uma verdadeira indústria em cima disso, porém ao mesmo tempo terá também que travar longas batalhas judiciais, em penosos processos contra seus empreendimentos.

Comentários:
A duras penas o empresário Larry Flynt construiu o império Hustler, uma empresa focada em revistas de mulheres nuas e pornografia. Ele foi um pioneiro, o que significou também que precisou se defender nos tribunais dos ataques dos setores mais puritanos e conservadores da sociedade americana. Esse filme procurou contar parte de sua história, em especial seu envolvimento e conturbado relacionamento com Althea Leasure (Courtney Love), uma stripper, prostituta e viciada em drogas. Essa personagem foi "interpretada" (entre aspas mesmo, pois foi quase uma incorporação de si mesma em cena) de Courtney Love, a eterna viúva de Kurt Cobain do Nirvana. Seu estilo naturalmente decadente, imoral e escandaloso caiu muito bem no papel que interpretou. Mesmo elogiando ainda achei um pouquinho exagerada a indicação de Love ao Globo de Ouro de Melhor Atriz. Aí acho que forçaram um pouco a barra. Já seu parceiro Woody Harrelson dá verdadeiro show de atuação. Falando como um caipira como Flynt ele rouba a cena, chegando inclusive a ser indicado ao Oscar por sua atuação. O filme aliás foi indicado a dois prêmios, o outro foi para o diretor Milos Forman que em minha opinião sempre foi um dos mais talentosos cineastas que passaram por Hollywood. E o fato dele dirigir outra cinebiografia aqui só engrandeceu o resultado como um todo. Enfim, excelente produção que disseca os podres de um país prestes a abraçar a liberdade de expressão em todos os seus segmentos, até mesmo naqueles considerados os piores imagináveis.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

domingo, 16 de julho de 2017

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band - Parte 2

É consenso praticamente geral que o álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" é um dos maiores discos da história do rock mundial. Mesmo assim é interessante notar que o grupo e seu produtor George Martin não estavam necessariamente focados em gravar um álbum convencional do gênero que investisse em arranjos tradicionais baseados no trio de instrumentos formado por guitarras, baixo e bateria. Eles jogaram as regras e as fórmulas para o alto e inovaram completamente na sonoridade do trabalho. De certa maneira os próprios Beatles não queriam mais seguir o que a gravadora achava melhor para o grupo. Aquela velha história de ser "comercialmente viável". Os Beatles não queriam mais saber disso. Pensando assim acabaram criando uma obra prima.

Uma das canções que retratam essa ruptura é justamente essa "When I'm Sixty-Four". Mesmo assinada pela dupla Lennon e McCartney a música foi composta praticamente sozinha por Paul. Isso foi reconhecido pelo próprio John. Durante uma entrevista após o fim do grupo ele respondeu quando perguntado sobre essa faixa: "Essa foi completamente composta por Paul. Jamais sonharia em compor algo parecido". E como vinha acontecendo nas composições de McCartney para esse álbum um arranjo orquestral foi criado, tentando trazer de volta a sonoridade dos anos 20 - afinal a letra era nostálgica. George Martin escreveu também um lindo arranjo de clarinete, pois esse instrumento eram um dos mais populares do começo do século XX. Por fim, depois de tanto trabalho dentro do estúdio, se cogitou lançá-la como single, porém essa ideia foi abandonada. Ela apenas faria parte do álbum Sgt. Peppers. Como era uma música de complexa execução ela jamais foi tocada ao vivo pelo grupo, até porque eles tinham também decidido dar por encerrados os concertos na época de gravação desse disco.

Outra música que foi também uma criação exclusiva de Paul McCartney foi "Lovely Rita". De todas as faixas do álbum essa é considerada uma das mais singelas. Em um disco tão revolucionário do ponto de vista musical e em termos de letras, essa canção é surpreendentemente convencional e pueril. A sonoridade é bem simples e sua letra evoca a figura de uma guarda de trânsito chamada Rita! A letra, em primeiro pessoa, narra essa singela estorinha de amor de alguém que acaba se encantando pela policial. Esse tipo de composição, tão tipicamente selada com o rótulo "McCartney", iria virar alvo de Lennon após o fim dos Beatles. John estaria sempre se irritando com essas baladas românticas escritas por Paul. Para John era um retrocesso, uma perda de tempo.

Talvez para fugir desse tipo de banalidade, John Lennon tenha surgido no estúdio com "Good Morning Good Morning". Sob uma fachada também banal, contando com um momento cotidiano na vida de qualquer um (o acordar pela manhã, o café antes de ir para a escola ou o trabalho, etc), John critica o consumismo e a banalização dos comerciais de TV. Seu alvo era certeiro, pois a canção era praticamente uma sátira aos comerciais televisivos da indústria de cereais Kellogg 's, da marca Corn Flakes. Inclusive durante os anos 70 John iria rasgar o verbo contra o que ele chamava de "indústria do açúcar" que viciava as crianças no consumo de produtos com excesso de açúcar, destruindo a saúde de todos lentamente, ao longo dos anos. Com a explosão dos casos de diabetes que vemos hoje em dia, podemos perceber que ele não estava longe da verdade em sua visão. Coisas de John Lennon, enfim.

Pablo Aluísio.

sábado, 15 de julho de 2017

O Cinema de Steven Spielberg - Parte 2

A primeira boa oportunidade que apareceu para Spielberg no começo de sua carreira foi ser escolhido pelos estúdios Universal para dirigir "Encurralado". Era um telefilme, mas ao mesmo tempo era uma chance de trazer algo novo, que chamasse a atenção de público e crítica. Até esse momento Spielberg havia se dado bem dirigindo episódios de séries populares de TV como "Galeria do Terror" e "Columbo". Era necessário agora impressionar positivamente os executivos da Universal, para quem sabe, ter a possibilidade de dirigir seu primeiro filme para o cinema. Spielberg não queria passar o resto de sua carreira na telinha da TV, ele tinha planos mais ambiciosos para sua vida profissional.

Com roteiro escrito por Richard Matheson e um bom elenco que contava com os atores Dennis Weaver, Jacqueline Scott e Eddie Firestone, a trama de "Encurralado" (Duel, 1971) não parecia grande coisa. Um técnico em computação que de repente se via em uma situação limite ao ser perseguido por um enorme caminhão pelas estradas. Basicamente tudo se resumia em ser um thriller de ação. Para Spielberg porém esse enredo trazia muitas possibilidades, principalmente em usar takes e enquadramentos fora do comum. Assim ele foi para a estrada com sua equipe técnica e realizou um ótimo filme - sem exagero algum! É a tal coisa, se Spielberg queria chamar a atenção com seu primeiro filme, ele conseguiu. A crítica adorou, a tal ponto que Spielberg conseguiu uma indicação ao prêmio de Melhor Telefilme do ano no conceituado Globo de Ouro. Era uma estreia acima da média. Chegou inclusive a ser exibido nos cinemas brasileiros na época. 

Depois desse primeiro telefilme Steven Spielberg tinha planos de tentar algo no cinema, finalmente, mas enquanto um bom roteiro não chegava em suas mãos ele aceitou o convite para dirigir "A Força Do Mal", outra produção a ser exibida na televisão. Era um filme de terror, usando elementos mais tradicionais, mostrando um jovem casal tendo que lidar com forças sobrenaturais na casa para onde se mudaram. Ecos de Poltergeist se viam em todo o desenrolar da história, mas obviamente era uma produção bem mais modesta, com pouca semelhança do famoso filme de terror que iria ser produzido pelo próprio Spielberg dez anos depois.

Ainda houve mais um telefilme no ano seguinte chamado "Savage". Esse último telefilme de Spielberg já tinha traços maiores de inovação. A trama era baseada na estória de um repórter investigativo que descobria a existência de fotos comprometedoras de um juiz que acabara de ser indicado para a suprema corte do país. No elenco estava o grande ator Martin Landau, em mais um boa interpretação. Foi uma boa experiência, mas Spielberg queria deixar o espaço reduzido da TV, para dirigir seu primeiro filme no cinema. Algo que em breve iria finalmente acontecer.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Múmia

Tom Cruise já não é mais o mesmo. Esse seu novo filme na Universal Pictures não conseguiu se tornar um sucesso, apesar da agressiva campanha de marketing. Com orçamento de 125 milhões de dólares faturou pouco mais de 30 milhões no mercado americano. Foi um pouquinho melhor no mercado internacional, mas mesmo assim ainda não se pagou nas bilheterias. Em resumo: é praticamente um fracasso comercial. E isso não foi injusto. O problema é que Cruise tem se concentrado apenas em fazer blockbusters vazios nesses últimos anos e o público já demonstra sinais de estar cansado disso. Cansaram do Cruise, essa é a verdade.

Mas e o filme, é bom? Esse filme na verdade é o primeiro de uma série que a Universal quer lançar, todos trazendo os velhos monstros clássicos do estúdio. Com o selo de Dark Universe, eles querem resgatar filmes com Drácula, Frankenstein, Lobisomen, o Homem Invisível, enfim, toda a galeria dos antigos personagens de terror da era clássica da Universal Pictures. É uma boa ideia, mas também é preciso caprichar um pouco mais nesse resgate. Esse primeiro filme com a Múmia deixa bastante a desejar nesse ponto. Cheio de efeitos especiais e furos de roteiro, jamais consegue convencer ou prender a atenção. Ao contrário disso deixa aquela sensação incômoda de que mais uma vez estamos perdendo tempo.

O enredo gira em torno de um grupo de militares que no Iraque acaba descobrindo uma antiga tumba de uma princesa que viveu no antigo Egito. Na verdade ela fez um pacto com o Set, o Deus da Morte. Por isso jamais deixou de viver. Aprisionada numa tumba com mércurio (retiraram essa ideia da tumba real do primeiro imperador da China), a princesa ganha vida novamente depois que seu sarcófago é aberto. Tom Cruise interpreta um desses militares que acaba virando alvo da maldição da múmia, ficando preso pela eternidade ao destino da monstruosidade que retorna à vida.

Através de um roteiro pouco original (consegui rapidamente ver plágios envolvendo diversos filmes como "Força Sinistra" e "Um Lobisomem Americano em Londres" com direito a um amigo em estado de putrefação avançada ao longo do filme), esse novo "A Mùmia" não me convenceu. Para piorar os roteiristas resolveram colocar personagens de "O Médico e o Monstro" no meio da trama. O que funcionou em séries como "Penny Dreadfull" aqui não deu muito certo. Enfim, se depender desse primeira produção da Dark Universe não teremos muitos revivals interessantes. Uma pena!

A Múmia (The Mummy, Estados Unidos, Inglaterra, 2017) Direção: Alex Kurtzman / Roteiro: David Koepp, Christopher McQuarrie / Elenco: Tom Cruise, Russell Crowe, Sofia Boutella, Annabelle Wallis / Sinopse: Equipe de militares americanos descobre por acaso a tumba milenar da princesa do antigo Egito Ahmanet (Sofia Boutella). No passado ela matou sua família em busca do poder absoluto do império. Também fez um pacto com Set, o Deus da Morte. Agora ela está de volta à vida, trazendo morte e destruição por onde passa.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

The Beatles - Revolver - Parte 1

Paul McCartney compôs "Eleanor Rigby" durante as filmagens de "Help!". Ele inclusive quase escolheu a música para fazer parte da trilha sonora do filme, mas pensou melhor e resolveu trabalhar ainda mais nela, antes de a levá-la para o estúdio. Assim que George Martin a ouviu pela primeira vez percebeu que ali havia uma faixa clássica que não se enquadraria com os instrumentos de um grupo de rock. Era algo completamente novo para um disco dos Beatles.

Era necessário escrever um arranjo mais erudito, usando um quarteto de cordas, de preferência. Paul aceitou imediatamente as sugestões. Assim os instrumentos básicos dos Beatles foram deixados de lado. Um grupo de músicos foi contratado e Paul e Martin começaram a lapidar a canção em Abbey Road. Para se ter uma ideia, Ringo Starr nem sequer participou da gravação da música. John e George só colaboraram fazendo os vocais de apoio. Embora John tenha creditada a canção como uma de suas criações, o fato é que sua participação na criação da música foi praticamente nula. Paul esclareceria anos depois que John havia escrito apenas uma linha da letra e feito o backing vocal, nada muito além disso. Aliás nenhum dos Beatles tocou na faixa, sendo tudo providenciado mesmo pelo gênio George Martin.

A letra, composta quase que exclusivamente por Paul falava sobre solidão. Essa é certamente uma das letras mais cinematográficas dos Beatles pois em essência narra o enterro de Eleanor Rigby, uma pessoa solitária, em cujo funeral ninguém compareceu a não ser o Padre McKenzie para fazer as orações finais. Durante anos Paul disse que a personagem Eleanor Rigby era ficcional, tanto que antes de escolher esse nome outros foram usados na composição como Miss Daisy Hawkins. A sonoridade desse nome porém não agradou Paul completamente, tanto que depois finalmente encontrou o que procurava em "Eleanor Rigby".

A explicação soava até bem plausível, isso até historiadores dos Beatles encontrarem uma lápide real no cemitério de Liverpool com o nome de Eleanor Rigby, cuja data de falecimento constava como o de 1939. Eleanor Rigby assim era o nome real de uma pessoa real, que viveu e morreu em Liverpool bem no começo da II Guerra Mundial. Informado sobre a descoberta, Paul se disse completamente surpreso! Quem sabe seu nome ficou em seu subconsciente, pois Paul costumava frequentar o local quando era mais jovem. Mais um mistério na história desse verdadeiro clássico da carreira dos Beatles.

Pablo Aluísio.