segunda-feira, 10 de julho de 2017

The Beatles - Abbey Road - Parte 5

Durante uma entrevista nos anos 70 John Lennon aceitou fazer uma espécie de bate-bola onde o entrevistador ia citando algumas músicas dos Beatles e ele ia respondendo sobre elas, de forma rápida e simples, dizendo o que primeiro lhe vinha a cabeça. Quando surgiu o nome de "She Came in Through the Bathroom Window" do álbum Abbey Road, John disparou: "Essa música é completamente de Paul. Não tenho a menor ideia do que se trata! Provavelmente Linda tenha entrado pela janela do banheiro, não sei, alguém entrou pela janela do banheiro...". Pois é, a origem dessa canção segue sendo um mistério Beatle. Na verdade a música em si não passava de um pequeno refrão sem importância que havia sido ensaiada durante os trabalhos de "Get Back" (que depois iria se transformar no filme e álbum "Let It Be").

Nada sem muita importância, nada muito bem trabalhado por Paul. Alguns boatos dizem que a tal pessoa que entrou pela janela do banheiro foi a filha de Linda, durante um dia em que Paul estava tão drogado que não conseguia nem abrir a porta de seu apartamento, fazendo com que a garotinha pulasse pela janela para abrir a porta por dentro. Quem sabe o que realmente teria acontecido? Acredito que nessa altura do campeonato nem mesmo Paul saiba mais explicar a origem da letra. De qualquer maneira a faixa é um bom momento do super Medley que Paul havia concebido para fazer parte do disco. Sua fusão com o rock "Polythene Pam" de John funciona muito bem. De uma coisa ninguém duvidava: Paul era realmente um mestre de estúdio, fazendo o melhor dentro de Abbey Road ao lado de George Martin. Coisa fina.

Depois de Paul era a vez de John apresentar uma nova canção nos estúdios chamada "Polythene Pam". A palavra "nova" deve ser encarada em termos. Embora essa canção tenha sido lançada no álbum "Abbey Road", ela quase entrou no "White Album". Lennon só não a colocou naquele disco porque ele não a considerava ainda finalizada. Uma bobagem já que na verdade a composição nunca foi terminada por John. Assim quando os Beatles gravavam seu último LP John concordou com Paul McCartney em colocá-la no meio do medley do lado B - o que acabou virando uma das marcas registradas desse maravilhoso trabalho do grupo.

Anos depois o próprio John iria esclarecer que "Polythene Pam" havia sido composta na Índia, quando os Beatles estavam por lá para meditar e aprender aspectos da religião hindu. Nessa época a rotina de John era fumar muito maconha, assistir as palestras de seu guru (que depois iria se revelar um picareta) e compor, com seu violão nas horas vagas. Assim a música foi criada, de forma bem despretensiosa e sem muita sofisticação. No "Abbey Road" temos uma versão bem básica, praticamente inacabada, servindo apenas como um link entre as diversas faixas. Pelo visto o próprio John cansou da música e nem sequer se preocupou muito em finalizá-la adequadamente. De qualquer maneira o bom solo de guitarra e a garra da gravação já valem a pena por si só.

Pablo Aluísio.

9 comentários:

  1. The Beatles - Abbey Road - Parte 5
    Pablo Aluísio
    Todos os direitos reservados.

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  2. Off topic: Pablo, eu acabei de ouvir I Just Can't Help Believin' (With the Royal Philharmonic Orchestra) e confesso que Fiquei impressionado com o refinamento e a precisão do arranjo e como está valorizado a linha do baixo nesta versão.
    Você sabe me dizer se eles tiraram todo o arranjo com os músicos do Elvis ou se substituíram somente alguns?

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  3. Leia o que já escrevi sobre essa faixa:

    I Just Can't Help Believin' (Mann / Well) - Escrevi recentemente sobre "I Just Can't Help Believin'" em outro artigo. Acho uma música romântica maravilhosa, standart, que jamais teve o reconhecimento merecido. Entre tantas versões existentes os produtores acertaram em usar a master ao vivo que foi lançada no disco original da trilha "That´s The Way It Is". Isso trouxe alguns problemas, pois canções ao vivo nem sempre são tecnicamente perfeitas, principalmente no fator tempo, mas os ingleses fizeram um belo trabalho, consertando sutilmente seus pequenos erros. E assim como aconteceu com "Suspicious Minds" resolveram preservar parte do arranjo original - principalmente no arranjo de metais de Las Vegas. O vocal feminino foi modificado, o que não me deixou plenamente satisfeito, pois as cantores de palco de Elvis eram extremamente talentosas. Em termos gerais gostei desse novo arranjo, pois preservou o que era possível da bela gravação de 1970. De qualquer forma, apesar dessas nuances, esse momento é certamente um ponto positivo nesse novo CD.

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  4. Era justamente o que eu queria saber. A parte vocal das mulheres foi alterada então. Concordo com você, elas fazem falta.
    Uma coisa que achei estranho é fazerem um arranho tão perfeito com a Royal em uma música gravada ao vivo com o Elvis errando a letra. Pelo menos tiraram ele regendo o seu grupo e falando "one more, one more...".
    No geral eu gostei, ficou lindo, como já disse, principalmente pelo baixo.

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  5. A tentativa de modernizar os arranjos originais só se justificam do ponto de vista comercial. Eu sou um velho marujo em se tratando de Elvis e Beatles. Sempre vou preferir as gravações originais, não tem jeito.

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  6. O que eu achei realmente despropositado (pra não falar sem pé nem cabeça) foi a introdução de A Big Hunk o' Love ser orquestrada. Caramba, A Big Hunk o' Love é um rock paulera da década de "50 na voz do Elvis! Rock com introdução orquestrada nem a pau! Tem que ser como o Raul Seixas dizia quando queriam dar toques de Jazz no Rock "suingue no rock nem pensar, aqui não!", tem pontos que temos que ser radicais.

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  7. She Came in Through the Bathroom Window e Polythene Pam são a prova perfeita de que a música para os Beatles, poderia até não ter sido completada com um solo, letra, refrão, estrofe... Esse lado 2 do disco é como se jogassem pedaços de fita com fragmentos de música pro alto e juntassem. Assim foi concebida a Revolution 9.
    Sobre o Elvis com A Royal Philarmonic Orchestra eu ainda não ouvi. As Sweet Inspirations mandavam bem pra caramba no palco. E os arranjos do Joe Guercio, é como o Pablo falou: Sempre vou preferir as gravações originais. o That´s The Way é um baita disco. Apesar de faltar a Polk Salad Annie rs.
    Um abraço do Baratta.

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  8. Agora vocês dois falando da I Just Can´t Help Belevin´ me deixou com vontade de ouvir o disco That´s The Way It Is agora de terça pra quarta feira uma e meia da manhã. hehe, e vamos começar as audições.
    Um abraço do Baratta.

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  9. Pois é, Baratta...
    Mesmo os pedaços de músicas inacabadas viravam obras primas nas mãos dos Beatles. Genialidade é isso aí! Já sobre "I Just Can´t Help Belevin", o que posso mais dizer? É uma excelente pedida para o fim de noite... Nada melhor do que bom gosto musical para fechar as atividades de um dia.

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