quinta-feira, 13 de julho de 2017

The Beatles - Revolver - Parte 1

Paul McCartney compôs "Eleanor Rigby" durante as filmagens de "Help!". Ele inclusive quase escolheu a música para fazer parte da trilha sonora do filme, mas pensou melhor e resolveu trabalhar ainda mais nela, antes de a levá-la para o estúdio. Assim que George Martin a ouviu pela primeira vez percebeu que ali havia uma faixa clássica que não se enquadraria com os instrumentos de um grupo de rock. Era algo completamente novo para um disco dos Beatles.

Era necessário escrever um arranjo mais erudito, usando um quarteto de cordas, de preferência. Paul aceitou imediatamente as sugestões. Assim os instrumentos básicos dos Beatles foram deixados de lado. Um grupo de músicos foi contratado e Paul e Martin começaram a lapidar a canção em Abbey Road. Para se ter uma ideia, Ringo Starr nem sequer participou da gravação da música. John e George só colaboraram fazendo os vocais de apoio. Embora John tenha creditada a canção como uma de suas criações, o fato é que sua participação na criação da música foi praticamente nula. Paul esclareceria anos depois que John havia escrito apenas uma linha da letra e feito o backing vocal, nada muito além disso. Aliás nenhum dos Beatles tocou na faixa, sendo tudo providenciado mesmo pelo gênio George Martin.

A letra, composta quase que exclusivamente por Paul falava sobre solidão. Essa é certamente uma das letras mais cinematográficas dos Beatles pois em essência narra o enterro de Eleanor Rigby, uma pessoa solitária, em cujo funeral ninguém compareceu a não ser o Padre McKenzie para fazer as orações finais. Durante anos Paul disse que a personagem Eleanor Rigby era ficcional, tanto que antes de escolher esse nome outros foram usados na composição como Miss Daisy Hawkins. A sonoridade desse nome porém não agradou Paul completamente, tanto que depois finalmente encontrou o que procurava em "Eleanor Rigby".

A explicação soava até bem plausível, isso até historiadores dos Beatles encontrarem uma lápide real no cemitério de Liverpool com o nome de Eleanor Rigby, cuja data de falecimento constava como o de 1939. Eleanor Rigby assim era o nome real de uma pessoa real, que viveu e morreu em Liverpool bem no começo da II Guerra Mundial. Informado sobre a descoberta, Paul se disse completamente surpreso! Quem sabe seu nome ficou em seu subconsciente, pois Paul costumava frequentar o local quando era mais jovem. Mais um mistério na história desse verdadeiro clássico da carreira dos Beatles.

Pablo Aluísio.

6 comentários:

  1. The Beatles - Revolver - parte 1
    Eleanor Rigby
    Todos os direitos reservados.

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  2. Pablo, parabéns! Que post esclarecedor. Eu te conheço a tanto tempo mas você sempre me surpreende com seu conhecimento. Saber que os músicos e cantores dos Beatles não participaram desta gravação não me surpreende, ao contrario, só confirma uma suspeita que eu já tinha dada a erudição da execução do arranjo. É como se a Royal Philharmonic Orchestra estivesse no lugar do George, John e Ringo. Chega a ser uma covardia em termos de capacidade técnica, não aqui desmerecendo a genialidade criativa dos componentes do Beatles, mas...
    Eleanor Rigby é, para mim, o mais alto grau que um grupo de rock chamado de ie, ie, ie, pode chegar para calar definidamente seus detratores. Musica, realmente, genial.

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  3. Obrigado Serge.
    Realmente, para essa música em questão a formação de instrumentos dos Beatles (guitarras, baixo e bateria) não tinha nenhuma serventia. E para fazer justiça a essas músicos aqui vai o nome de cada um deles que trabalharam nessa faixa:

    Tony Gilbert – violino
    Sidney Sax – violino
    John Sharpe – violino
    Juergen Hess – violino
    Stephen Shingles – viola
    John Underwood – viola
    Derek Simpson – cello
    Stephen Lansberry – cello
    Peter Halling - cello

    Obs: o termo "viola" acima se refere a um instrumento da família do violino e não a viola caipira que conhecemos no Brasil.

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  4. Obrigado pela lista Pablo! É muito bom ter conhecimento respectivo a estas figuras. Grande músicos! Eu, na minha pequenez diante de tais profissionais, humildemente os parabenizo. Ainda bem que artistas assim existem.

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  5. Nas décadas de 1950 e 1960 os discos de vinil não traziam as fichas técnicas das gravações e assim esses músicos ficavam no completo anonimato. O mesmo acontecia nos discos de Elvis. Durante anos Scotty Moore, Bill Black e dezenas de grandes músicos não tinham seus nomes constando nos LPs. Uma pena.

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